Segue abaixo a lista das salas em que as atividades ocorrerão.

Legenda:

ST# Título do ST – datas, local

AUD IEB: Auditório do Instituto de Estudos Brasileiros, Complexo Brasiliana

DH: Departamento de História, Prédio da História e Geografia, FFLCH

Prédio do Meio: Prédio de Ciências Sociais e Filosofia, FFLCH

 

ST1 A (in)visibilidade e a política das infraestruturas – 19, AUD 2 IEB

ST2 A ecologia política das paisagens mais-que-humanas: etnografias, engajamentos e práticas de conhecimento – 17/18/19, Prédio do Meio sala 108

ST3 Aliar-se às nuvens para que o céu não caia – 18/19, DH sala 11

ST4 Ambientes: habilidades perceptivas e técnicas em coevolução – 17/18/19, Prédio do Meio sala 102

ST5 Antropologia das sementes – 18/19, DH sala 12

ST6 Antropologia e antropocentrismo: debates, desafios e perspectivas – 17/18/19, Prédio do Meio sala 100

ST7 Ciência, técnica e práticas alimentares – 17/18, DH sala 13

ST8 (Co)produções contemporâneas: Intervenções biotecnológicas sobre o corpo, gênero e sexualidade – 17/18/19, Prédio do Meio Sala 8

ST9 Encontro de Saberes: Transversalidades e Experiências – 17/18/19, Prédio do Meio sala 113

ST10 Entre a Política e a Técnica: práticas de conhecimento em comparação – 17/18/19, Prédio do Meio sala 14

ST11 Entre o mercado e o Estado: encontros e desencontros de saberes em iniciativas de conservação da biodiversidade – 18/19, Prédio do Meio sala 104A

ST12 Mapeamento de controvérsias, cartografias micropolíticas e narrativas etnográficas – avaliando possibilidades de conexões transversais– 17/18/19, DH sala 14

ST13 Mapear é conhecer territórios? Etnografando mapas indígenas no Brasil – 18/19, Prédio do Meio, sala 104B

ST14 Memória, propriedade e silêncio nos arquivos relativos a povos indígenas – 17/18/19, AUD 1 IEB

ST15 Mudanças Climáticas: Conhecimentos, Políticas e Intervenções – 17/18, Prédio do Meio, sala 12

ST16 Parentesco e tecnologias computacionais: apropriação ou colaboração? – 17/19, Prédio do Meio, sala 117

ST17 Políticas etnográficas no campo da cibercultura – 18/19, Prédio do Meio, sala 119

ST18 Práticas Psi e modos de produção de subjetividades: um campo de descrições etnográficas – 17/18, AUD 2 IEB

ST19 Praxiografias do corpo – 17/18/19, Prédio do Meio, sala 110

ST20 Relações entre sociedade-naturezas e enfermidades vetoriais: a vida política dos discursos e práticas científicas  Religião e tecnologia: novas abordagens – 17/18/19, Prédio do Meio, sala 109

ST21 Religião e tecnologia: novas abordagens – 17/18/19, Prédio do Meio, sala 10

ST22 Tecno-ciência e periferalidade: abordagens e interseções contemporâneas – 17/18/19, DH sala 15

ST23 Tecnologias da reflexividade e as pesquisas sobre ritual, usos de substâncias e saúde – 17, Prédio do Meio, sala 106 A

ST24 Viver entre animais: etnografias da recalcitrância e do consentimento – 17/18/19, Prédio do Meio, sala 24

 

Índice de Seminários Temáticos

ST1: A (in)visibilidade e a política das infaestruturas / Coordenadores: Ana Paula Camelo (FGV), Diego Vicentin (UNICAMP), Vinicius Wagner de Oliveira Santos (UNICAMP)

ST2: A ecologia política das paisagens mais-que-humanas: etnografias, engajamentos e práticas de conhecimento / Coordenadores: Pedro Castelo Branco Silveira (Fundação Joaquim Nabuco), Thiago Mota Cardoso (Instituto de Pesquisas Ecológicas)

ST3: Aliar-se às nuvens para que o céu não caia / Coordenadores: Susana Dias (UNICAMP), Sebastian Wiedemann (UNICAMP)

ST4: Ambientes: habilidades perceptivas e técnicas em coevolução / Coordenadores: Rafael Victorino Devos (UFSC), Gabriel Coutinho Barbosa (UFSC)

ST5: Antropologia das sementes / Coordenadores: Elaine Moreira (UFRR), Laure Emperaire (IRD, França)

ST6: Antropologia e antropocentrismo: debates, desafios e perspectivas / Coordenadores: Daniela T. Manica (UFRJ), Pedro P. Ferreira (UNICAMP)

ST7: Ciência, técnica e práticas alimentares / Coordenadores: Julia S. Guivant (UFSC), Marília Luz David (UFSC), Paulo de Freitas Castro Fonseca (UFSC)

ST8: (Co)produções contemporâneas: Intervenções biotecnológicas sobre o corpo, gênero e sexualidade / Coordenadores: Fernanda Vecchi Alzuguir (UFRJ), Lilian Krakowski Chazan (UERJ), Livi Ferreira Testoni de Faro (UERJ), Marina Fisher Nucci (UERJ)

ST9: Encontro de Saberes: Transversalidades e Experiências / Coordenadores: César Geraldo Guimarães (UFMG), Edgar Rodrigues Barbosa Neto (UFMG), Marcio Goldman (UFRJ)

ST10: Entre a Política e a Técnica: práticas de conhecimento em comparação / Coordenadores: Magda dos Santos Ribeiro (USP), Catarina Morawska Vianna (UFSCar)

ST11: Entre o mercado e o Estado: encontros e desencontros de saberes em iniciativas de conservação da biodiversidade. / Coordenadora: Eliana Santos Junqueira Creado (UFES)

ST12: Mapeamento de controvérsias, cartografias micropolíticas e narrativas etnográficas – avaliando possibilidades de conexões transversais / Coordenador: Eduardo Viana Vargas (UFMG)

ST13: Mapear é conhecer territórios? Etnografando mapas indígenas no Brasil / Coordenador: Henyo Trindade Barretto Filho (UnB)

ST14: Memória, propriedade e silêncio nos arquivos relativos a povos indígenas / Coordenadores: Luísa Valentini (USP), Rui Massato Harayama (UNIVASF), Spensy Pimentel (UFSB) 

ST15: Mudanças Climáticas: Conhecimentos, Políticas e Intervenções / Coordenadores: Tiago Ribeiro Duarte (UnB), Raoni Guerra Lucas Rajão (UFMG), Marko Synesio Alves Monteiro (UNICAMP), Jean Carlos Hochsprung Miguel (UNICAMP)

ST16: Parentesco e tecnologias computacionais: apropriação ou colaboração? / Coordenadores: Juliana P. Lima Caruso (École Pratique des Hautes Études, França), Marcio Ferreira da Silva (USP), Miriam F. Hartung (UFSC), Carlos Eduardo Ferreira (USP)

ST17: Políticas etnográficas no campo da cibercultura / Coordenadores: Theophilos Rifiotis (UFSC), Jean Segata (UFRGS)

ST18: Práticas Psi e modos de produção de subjetividades: um campo de descrições etnográficas / Coordenador: Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ)

ST19: Praxiografias do corpo / Coordenadores: Valeria Mendonça Macedo (UNIFESP), Pedro Paulo Gomes Pereira (UNIFESP)

ST20: Relações entre sociedade-naturezas e enfermidades vetoriais: a vida política dos discursos e práticas científicas / Coordenadores: Andrea Mastrangelo (Universidade de San Martín), Joana Cabral de Oliveira (UNICAMP), María Mónica Ruoti de García de Zúñiga (Universidad Nacional de Asunción)

ST21: Religião e tecnologia: novas abordagens / Coordenadores: Bruno Reinhardt (Universidade de Utrecht, Países Baixos), Diana Espírito Santo (Pontifícia Universidade Católica do Chile)

ST22: Tecno-ciência e periferalidade: abordagens e interseções contemporâneas / Coordenadores: Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino (UFSC), Fabrício Monteiro Neves (UnB) 

ST23: Tecnologias da reflexividade e as pesquisas sobre ritual, usos de substâncias e saúde / Coordenadores: Marcelo Simão Mercante (UNISINOS), Ana Letícia de Fiori (USP)

ST24: Viver entre animais: etnografias da recalcitrância e do consentimento / Coordenadores: Felipe Vander Velden (UFSCar), Andréa Osório (UFF)


ST1: A (in)visibilidade e a política das infaestruturas / Coordenadores: Ana Paula Camelo (FGV), Diego Vicentin (UNICAMP), Vinicius Wagner de Oliveira Santos (UNICAMP)

Resumo: Em seu artigo, “Ethnography of Infrastructure” (1999), Susan L. Star indica que uma infraestrutura é frequentemente vista como um suporte: algo que funciona de modo invisível para que outros processos tomem corpo a partir das condições estabelecidas por ela. Um aparato sociotécnico torna-se verdadeiramente uma infraestrutura quando se relaciona com um conjunto de práticas que o toma como dado, como pressuposto. Em determinado contexto cultural a rede de água é pré-requisito para o trabalho do cozinheiro, nota a autora. Em contrapartida, para um engenheiro responsável pela política de distribuição urbana do recurso, a rede de água é um tópico, um assunto, parte do seu trabalho diário. Aqueles que se dedicam a estudar infraestruturas e fazem uso do termo, ou do conceito, costumam apontar para a invisibilidade e/ou opacidade de seu objeto de estudo. Parte de seu trabalho como pesquisador é, então, torná-la visível. Algo que implica tornar visível arranjos de poder que ela concretiza, os bens, conhecimento e significados que faz circular e materializar. A infraestrutura é objeto da política, da vida pública. Dialogando com os estudos sobre infraestrutura, especialmente âmbito dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia, buscamos, nesse seminário, reunir trabalhos que se dediquem a pensar como definir os limites conceituais e empíricos de uma infraestrutura e, além disso, deem a ver os desafios metodológicos dessa empreitada. São bem vindos ensaios que contribuam para essa reflexão no campo da energia, saúde, TICs e produção de conhecimento. Ou ainda, trabalhos que tratam da dimensão política das infraestruturas, seja por sua ausência, na medida em que não se distribuem igualmente, seja porque seu modo de funcionamento reforça ou subverte relações de poder e dominação.

Palavras-chave: infraestrutura, etnografia, política, tecnologia

Participantes:

André Vereta Nahoum
Cristina Abreu Sampaio Leme Monaco
Emerson Freire
Henrique Z. M. Parra
Jean Carlos Ferreira dos Santos, Marko Synésio Alves Monteiro
Luís Michel Françoso
Moisés Kopper
Valdir Pedde, João A. S. Figueiredo

ST2: A ecologia política das paisagens mais-que-humanas: etnografias, engajamentos e práticas de conhecimento / Coordenadores: Pedro Castelo Branco Silveira (Fundação Joaquim Nabuco), Thiago Mota Cardoso (Instituto de Pesquisas Ecológicas)

Resumo: Este seminário pretende agregar debates sobre paisagens produzidas pelo entrelaçamento de diferentes modos (humanos e não-humanos) de habitar, sobre a produção de paisagens em diferentes regimes cosmopolíticos e sobre os efeitos paisagísticos de práticas de conhecimento diversas. Partimos do pressuposto de que a resultante dos modos de viver contemporâneos produz precariedade e paisagens simplificadas, como parte do que vem sendo chamado, entre outros nomes, de Antropoceno. Pretendemos, assim, reunir trabalhos que abordem devires de uniformização e de diversificação de paisagens. Interessam aqui os modos de viver produzidos a partir da instalação de empreendimentos de agronegócio e mineração, da disseminação de espécies exóticas, dos grandes projetos de infra-estrutura, dos desastres socioambientais e dos efeitos de mudanças climáticas. Interessa também a produção de paisagens rurais e urbanas biodiversas, além dos modos de vida humanos e não-humanos em paisagens devastadas e em regeneração. Interessam, por fim, a eco-antro-política das paisagens florestais e aquáticas, das paisagens indígenas e de povos tradicionais, e a diversidade das práticas de conhecimento na produção das paisagens. Privilegiaremos abordagens que extrapolem a ideia de um ambiente natural dado, sujeito por um lado a um “efeito antrópico” unidirecional e por outro à elaboração de construções sociais. Ao invés disso, esperam-se contribuições inspiradas em redes sociotécnicas, etnografias multiespécies, malhas relacionais, cartografias contra-hegemônicas, ecologias não-deterministas, ativismos artísticos e outras perspectivas conectadas com os debates propostos.

Palavras-chave: paisagem; ecologia política; antropologia mais-que-humana

Participantes:

Adriana Werneck Regina
Alessandra Regina dos Santos
Ana Maria Ramo y Affonso
André Sicchieri Bailão
Evandro Smarieri Soares
Fabiano Campelo Bechelany
Izadora Pereira Acypreste
João Miguel Diógenes de Araújo Lima
Juvêncio Cardoso Awadzoro, João Vianna
Karine L. Narahara
Laila Thomaz Sandroni
Lucas Coelho Pereira
Mariana Luiza Fiocco Machini
Mario Rique Fernandes
Maurice Seiji Tomioka Nilsson
Nicole Soares Pinto
Patricia Martins
Paula Hernández Casilla, Yuri Carvajal Bañados Casilla
Rafael Nogueira Costa
Ricardo Alexandre Pereira de Oliveira
Pôster
Gabriel Holliver
Gessica da Silva Peixoto Lima
Luisa Amador Fanaro
Sarah Kelly Silva Schimidt

ST3: Aliar-se às nuvens para que o céu não caia / Coordenadores: Susana Dias (UNICAMP), Sebastian Wiedemann (UNICAMP)

Resumo: O título deste seminário já traz implícita a triste herança que tem nos deixado a modernidade, um hábito por dividir (Stengers, 2012) decorrente do que Whitehead chama bifurcação da natureza (1920) e que tem alimentado nossa crença de que estamos sozinhos no mundo, de que o solipsismo é o único modo possível de estar no mundo. Queremos resistir a esta herança das luzes com trabalhos que afirmem que não estamos sozinhos e que, antes que estar no mundo, estes tempos catastróficos nos impõem a estar com os mundos. Para quem nunca perdeu uma intimidade e conexão efetiva com o mundo como os Yanomami, o céu pode cair (Kopenawa, 2015) justamente porque nós, os brancos, nos sentimos alheios a ele e a todas as possíveis relações que dele se desprendem. Como as infinitas linhas por onde a vida prolifera (Ingold, 2015), forças anímicas que se agenciam com as nuvens, mas também com a chuva, a floresta, o rio, os cantos e o próprio pensamento. Este aliar-se com as nuvens é aliar-se com tudo aquilo que não deixa cair o vivo, dispondo-se como superfície de contacto e interseção para que o vivo continue em movimento. Uma aliança que acontece como possibilidade construtiva dos mais impensados encontros multiespécies (Haraway, 2016; Van Dooren et al., 2016) e da emergência de modos de existência (Latour, 2012), onde o humano se abre a uma certa leveza, transmutabilidade e multirelacionalidade, fazendo da potência de pensar um gesto menor e pluri-ontológico – entre artes, ciências, filosofias. Um convite a estar a céu aberto, sem medo de que ele caia.

Palavras-chave: humano; vida; animismo; estudos multiespécies; bifurcação da natureza

Participantes:

Beto Vianna
Kauã de Vasconcelos Favilla da Silva
Luna Mendes
Marcela Vasco
Marco Antonio Valentim
Rafael Alves da Silva
Raphael Vianna Mannarino Bezerra
Rita Natálio
Rosalvo Ivarra Ortiz
Tatiana Plens Oliveira
Thomás Antônio Burneiko Meira
Vivian Marina Redi Pontin

ST4: Ambientes: habilidades perceptivas e técnicas em coevolução / Coordenadores: Rafael Victorino Devos (UFSC), Gabriel Coutinho Barbosa (UFSC)

Resumo: Gestos que fazem a mão e o mundo. Este simpósio aposta na investigação de habilidades de percepção-ação em ambientes diversos, desenvolvidas em técnicas corporais de engajamento entre humanos e não-humanos, fluxos e materiais, instrumentos e objetos técnicos. Habilidades perceptivas são entendidas aqui para além das representações e discursos, realizadas em movimentos, ação exploratória de reconhecimento e estabelecimento das condições de relação com os movimentos do mundo. Propomos uma reflexão sobre sistemas de percepção-ação hápticos, motores e audiovisuais em correspondência com as dinâmicas de coevolução de animais, plantas, solos, atmosferas, marés, correntezas, caminhos, moradas e desvios. Reconhecendo a indistinção entre percepção e ação, o simpósio busca nos ajustes rítmicos das técnicas abertas à imprevisibilidade dos sistemas ecológicos uma chave de entendimento das transformações, evoluções, degradações e contaminações dos ambientes gravadas no corpo do mundo. O mapa não é o território. E a mente não é limitada pela pele.

Palavras-chave: percepção do ambiente, antropologia da técnica, coevolução, paisagem, ecologia da vida

Participantes:

Ana Cecília Oliveira Campos
Clara Merino Montero
Eduardo Di Deus
Fábio do Espírito Santo Martins
Fatima Teresa Braga Branquinho, Isabela Frade, Fatima Kzam de Lacerda
Felipe Vargas, Adriano Premebida
Jean Pierre Pierote Silva
José Cândido Lopes Ferreira, Rafael Barbi Costa e Santos
Julio Cesar Stabelini
Leticia D’Ambrosio
Lucas Lima dos Santos
Marcelo Giacomazzi Camargo
Patrícia Postali Cruz
Paulo Gomes de Almeida Filho
Priscila Matta
Rafael da Silva Malhão
Viviane Vedana
Pôster
Lucas Vanni

ST5: Antropologia das sementes / Coordenadores: Elaine Moreira (UFRR), Laure Emperaire (IRD, França)

Resumo: Sementes aqui entendidas como objetos que circulam nas relações entre humanos, técnicas e vegetais (não humano). O Estado investe cada vez mais em políticas publicas na gestão destes recursos, sua intervenção chega junto as populações indígenas e quilombolas em uma atitude indiferenciada entre populações que guardam seus sistemas agrícolas tradicionais. As sementes também é objeto valorizados por diferentes grupos em novas redes de trocas patrocinada por diferentes atores indígenas e organizações não governamentais. Nos interessa colocar as sementes como objeto vivos, e suas implicações na relação com as politicas estatais e outras formas de relações como a agroecologia, entre outros. A objetivação das sementes tem uma longa historia. As ações e intervenções sociais e técnicas permitiram cada vez mais aos humanos modifica-las e institui modos de relações especificas para que elas se tornem visíveis (se donnent a voir). Constituem-se em objetos de apropriações culturais cuja modalidade extrema é representada pela introdução de sementes e plantas oriundas das biotecnologias. Propomos neste simpósio dialogar sobre as diferentes relações e reflexões em jogo sobre estes objetos vivos seja através das bio-técnicas, bio-politica ou ontológias destes objetos e seus projetos de devir.

Palavras-chave: sementes, trocas, biotecnologia, políticas publicas, ontologias

Participantes:

Alessandro Roberto de Oliveira
Ananda Machado
Bruno Lucas Saliba de Paula
Maíra Bueno de Carvalho
Marilena Altenfelder de Arruda Campos, Thiago Mota Cardoso
Priscila Matta

ST6: Antropologia e antropocentrismo: debates, desafios e perspectivas / Coordenadores: Daniela T. Manica (UFRJ), Pedro P. Ferreira (UNICAMP)

Resumo: Em que se reconheceria uma “antropologia não antropocêntrica”? Seria o caso de generalizar a agência de tipo humano, transformando o humano em “toda uma outra coisa”, como ocorre no perspectivismo ameríndio? Seria o caso de obliterar toda especificidade humana a priori, como propõe a teoria ator-rede? Existem outras saídas possíveis do antropocentrismo sendo exploradas pela antropologia? E qual o efeito disso para a disciplina? Este seminário temático busca explorar a possibilidade de uma antropologia que encara o humano como algo a se construir, a se inventar: o humano como devir, como utopia, movimento sem termo, relação; um humano definido não pela lógica categórica das espécies, mas pela lógica processual dos modos de existência. Acolheremos propostas de trabalhos que enfrentem esse desafio de uma perspectiva conceitual, a partir de reflexões teóricas e/ou pesquisas empíricas em interface com outras formas de conhecimento: minoritárias e tradicionais, ou das ciências naturais, biológicas e biomédicas. Serão bem-vindas temáticas sobre ambientes e ecologias, materialidades, animalidades, corporalidades e tecnociências.

Palavras-chave: antropologia, antropocentrismo, humano

Participantes:

Aline Lopes Rochedo
Anderson Marcos dos Santos
Bruna Bumachar
Clarice Rios
Daniela Feriani
Fabíola Ribeiro Duarte
Guilherme Giufrida
Guilherme Henriques Soares
Gustavo Jardel Coelho
Leonardo Rangel dos Reis
Lethícia Pinheiro Angelim
Levindo da Costa Pereira
Marcos Castro Carvalho
Simone Pondé Vassallo
Thiago Oliveira da Silva Novaes
Vitor Chiodi

ST7: Ciência, técnica e práticas alimentares / Coordenadores: Julia S. Guivant (UFSC), Marília Luz David (UFSC), Paulo de Freitas Castro Fonseca (UFSC)

Resumo: Neste simpósio temático propomos reunir contribuições a partir do diálogo entre os estudos sobre ciência e alimentação. Os estudos sociais da ciência oferecem uma gama de contribuições às pesquisas sobre alimentação que exploram desde a materialidade das práticas e como inovações modificaram o provisionamento e o consumo de alimentos, até a problematização do corpo e como o consumo e relações de produção de alimentos modulam o social. O cruzamento de análises e perspectivas dos estudos sociais da ciência com outras áreas das ciências sociais como a antropologia e sociologia da alimentação, da saúde e do consumo, bem como a sociologia ambiental tem permitido entender fenômenos tais como as transformações em hábitos alimentares (e.g. comer fora – eating out), as controvérsias científicas alimentares e relações de confiança, o mercado (global) de alimentos e as relações de consumo e produção, processos de definição de riscos e do que seria a alimentação saudável, como são organizados os domínios do natural e do social e que valores e relações de poder são negociados e estabelecidos em práticas alimentares. O foco dos trabalhos neste ST se estende tanto a estudos empíricos sobre alimentação e ciência quanto a contribuições que discutam perspectivas teóricas sobre o assunto.

Palavras-chave: alimentação, ciência, controvérsia científica, risco

Participantes:

Alice Pinheiro Teixeira
André Gondim do Rego, Sônia Cristina Hamid
Elis Meza
Joana A. Pellerano
Julia Manso Paes de Carvalho
Júlia Santos Cardoni
Manuela de Souza Diamico
Marília Luz David
Marta Francisca Topel
Nathalia Lima, Krisciê Pertile Perini
Rafaela Basso
Talitha Alessandra Ferreira, Evandro Smarieri Soares

ST8: (Co)produções contemporâneas: Intervenções biotecnológicas sobre o corpo, gênero e sexualidade / Coordenadores: Fernanda Vecchi Alzuguir (UFRJ), Lilian Krakowski Chazan (UERJ), Livi Ferreira Testoni de Faro (UERJ), Marina Fisher Nucci (UERJ)

Resumo: Procuramos reunir neste ST pesquisadores/as que reflitam sobre as intervenções biotecnológicas que incidem sobre corpos, gênero e sexualidade. Buscamos trabalhos que abordem os processos de biomedicalização em seus aspectos de produção do sexo/gênero, colocando em debate as diversas esferas envolvidas na construção e difusão do conhecimento e também nas práticas de gerenciamento da sexualidade e da saúde na contemporaneidade. Interessam-nos discussões que se aproximem do referencial teórico dos estudos sociais de ciência e tecnologia, estudos antropológicos sobre o tema, bem como investigações que explorem as críticas feministas à tecnociência e a problematização das distinções que reiteram hierarquias de gênero, tais como ciência e valores ou natureza e cultura. Neste cenário, destacamos a relevância de pesquisas em torno do que Fabíola Rohden denominou de “império do corpo hormonal”, isto é, da proeminência e da legitimidade dos discursos que privilegiam os hormônios nas explicações sobre os corpos, comportamentos e subjetividade. Estes parecem se sobrepor a outros modelos de explicação, tanto no discurso científico quanto na divulgação para o público mais amplo. Tais perspectivas têm rendido vigorosas análises sobre temas tais como: envelhecimento, reprodução assistida, transexualidade, intersexualidade, as chamadas disfunções sexuais, entre outros, e os novos desenvolvimentos tecnocientíficos, desde a produção de diagnósticos aos fármacos para a administração bioquímica de si visando o aprimoramento.

Palavras-chave: Biotecnologia, Gênero, Sexualidade, Corpo e Feminismo

Participantes:

Ana Cristina de Lima Pimentel
Anderson Santos Almeida
Arbel Griner
Aureliano Lopes da Silva Junior
Bruna Klöppel
Érica Renata de Souza
Felipe Cavalcanti Ferrari
Georgia Martins Carvalho Pereira, Rogerio Lopes Azize
Janaína Freitas
Lucas Tramontano
Marcelle Schimitt
Mariana Marques Pulhez
Mauro Brigeiro
Miriam Oliveira Mariano, Regina Amélia de Magalhães Senna Vieira
Ricardo Andrade Coitinho Filho
Silvia Naidin

ST9: Encontro de Saberes: Transversalidades e Experiências / Coordenadores: César Geraldo Guimarães (UFMG), Edgar Rodrigues Barbosa Neto (UFMG), Marcio Goldman (UFRJ)

Resumo: Este seminário pretende ser um espaço que reúna diferentes reflexões de natureza etnográfica, político-pedagógica e epistemológica tendo por objeto as várias experiências de ‘encontro de saberes’ em contextos acadêmicos, encontros que incluem ao menos três tipos de experiência: 1) aquelas em que os professores são ‘mestres do conhecimento tradicional’ – xamãs, mães-de-santo, rezadoras, quilombolas, parteiras…; 2) aquelas em que os(as) estudantes tiveram acesso à universidade por meio de políticas de ação afirmativa ou vestibular diferenciado; 3) aquelas em que os(as) estudantes estão matriculados(as) em cursos de natureza intercultural – licenciaturas (ou bacharelados) indígenas e quilombolas, entre outros. O objetivo central do seminário é examinar, ao mesmo tempo, as consequências desses encontros sobre as práticas de conhecimento e as formas de organização acadêmicas, e os diferentes modos em que esses encontros são implementados por seus participantes nos contextos fora da universidade. O debate em torno dos “riscos” implicados nesses encontros é parte fundamental da proposta: de um lado, um ‘verticalismo hierarquizante’, que apenas inverteria a posição respectiva de saberes acadêmicos e não acadêmicos; de outro, um ‘horizontalismo democratizante’, supondo que as relações entre esses saberes são de mera equivalência e que, no fundo, as diferenças não importam. Nossa sugestão é um esforço para pensar a relação entre saberes heterogêneos enquanto heterogêneos numa experiência de ‘transversalidade criativa’, na medida em que todo ‘encontro de saberes’ é feito de vários outros encontros, o que faz com que nunca se possa saber o que pode estar sendo encontrado em cada um deles.

Palavras-chave: Encontro de Saberes; Transversalidade; Conhecimentos Tradicionais; Práticas Epistemológicas; Processos de Aprendizagem

Participantes:

Adriana Paola Paredes Penafiel
Amilton Pelegrino de Mattos
Ana Claudia Cruz da Silva
Ana Maria R. Gomes
Celia Leticia Gouvea Collet
Claudia Magnani, Paula Cristina P. Silva, Ana Maria R. Gomes
Cynthia de Cássia Santos Barra, Guilherme Foscolo de Moura Gomes
Fernanda Cristina de Oliveira e Silva
Flavio Bassi
Isabel Santana de Rose
Juarez Melgaço Valadares, Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco
Lorena França, João Paulo de Lima Barreto, Dagoberto Lima Azevedo
Luana Rosado Emil
Pablo Albernaz, Indira Caballero
Talita Lazarin Dal’ Bó
Pôster
Flávia Maria Martins Vieira

ST10: Entre a Política e a Técnica: práticas de conhecimento em comparação / Coordenadores: Magda dos Santos Ribeiro (USP), Catarina Morawska Vianna (UFSCar)

Resumo: Este Seminário Temático pretende reunir pesquisas que reflitam sobre a mobilização de saberes tecnopolíticos em órgãos estatais, organizações não-governamentais, agências internacionais, institutos de pesquisa, laboratórios, empresas privadas. Serão privilegiadas experimentações com materiais etnográficos e bibliográficos de modo a operar comparações que tornem visíveis práticas de conhecimento distintas e/ou em relação. O objetivo é fomentar o debate em torno da ideia de que a política nestas instâncias se dá a partir do exercício de técnicas das mais variadas, como a estatística, a cartografia, a hermenêutica jurídica, a biomedicina ou as tecnologias de informação. São de especial interesse trabalhos que descrevam, por exemplo, a confecção e circulação de documentos na gestão de populações e territórios; a diferença entre os saberes que referenciam documentos técnicos (como laudos antropológicos e estudos de impacto ambiental) e os saberes dos grupos sobre os quais os documentos discorrem; os saberes biomédicos que embasam a gestão dos corpos por parte de órgãos públicos e privados; as disputas semânticas em torno das quais transcorrem a elaboração de leis e os processos judiciais; os saberes biotécnicos e financeiros que compõem o agronegócio. Trata-se de refletir conjuntamente e a partir de pesquisas tematicamente diversas os desafios teórico-metodológicos postos à antropologia na medida em que se toma a política como indissociável da técnica.

Palavras-chave: comparação; organizações; política; técnica; práticas de conhecimento

Participantes:

Ana Cecília Oliveira Campos
Andressa Lewandowski
Andreza Martins, Julia S. Guivant
Bruner Titonelli Nunes
Diógenes Egidio Cariaga
Flavia Medeiros Santos
Gustavo Onto
Hugo B. Partucci, Leticia D’Ambrosio Camarero
Karina Biondi
Lis Furlani Blanco
Lorena Avellar de Muniagurria
Marcio Zamboni
Marcos Silbermann
Marcus Antonio Schifino Wittmann, Sérgio Baptista da Silva
Mariana Medina Martinez
Natacha Simei Leal
Natália Morais Gaspar
Rafael da Silva Malhão
Silvana Jesus do Nascimento
Vitor Simonis Richter

ST11: Entre o mercado e o Estado: encontros e desencontros de saberes em iniciativas de conservação da biodiversidade. / Coordenadora: Eliana Santos Junqueira Creado (UFES)

Resumo: As iniciativas hegemônicas de conservação destinadas à manutenção da biodiversidade colocam em questão a atuação de porta-vozes institucionais identificados com o que Descola (2012) chamou de modo de identificação naturalista; no entanto, para além disso, um dos pontos a ser ressaltado é que os naturalistas muitas vezes estabelecem relações com outros modos de identificação e/ou outros modos relacionais diferentes dos seus. Ainda, colocam esses outros modos de identificação e relacionais, bem como a si mesmos, na interface com aparatos jurídico-administrativos, e/ou com iniciativas desenvolvimentistas ou relações de mercado, como: (1) instauração de programas de geração de renda, visando a compensação financeira de restrições ambientais; (2) o uso de recursos derivados de compensações ambientais na criação de unidades de conservação e/ou financiamentos de pesquisas; (3) pesquisas sobre impactos e/ou recuperação de áreas ambientalmente degradadas; etc. A proposta abarcará trabalhos que abordem desde alguns desses múltiplos vínculos a até mesmo reflexões éticas ou análises sobre o conhecimento deles resultante. Lembrando que os enredamentos podem dar-se em instâncias diversas como práticas de campo, textos, medidas judiciais, controvérsias, audiências públicas, intervenções em sistemas de conhecimento-e-ação comumente chamados de locais ou tradicionais, dentre outras. Serão considerados trabalhos com diferentes abordagens teóricas e empíricas, bem como provenientes de diferentes origens disciplinares.

Palavras-chave: conservação da biodiversidade; ambientalismo; redes sociotécnicas

Participantes:

Alana Casagrande, Oscar José Rover
Beatriz Judice Magalhães
Joana Macedo
Luciana dos Santos Duarte
Marcelo Guilherme de Oliveira Dias
Rafael Antunes Padilha
Viviane Fernandez
Wagner de Deus Mateus

ST12: Mapeamento de controvérsias, cartografias micropolíticas e narrativas etnográficas – avaliando possibilidades de conexões transversais / Coordenador: Eduardo Viana Vargas (UFMG)

Resumo: Este seminário temático objetiva discutir possibilidades de articulação transversal entre as proposições de Bruno Latour em torno do mapeamento de controvérsias, as de Deleuze e Guattari em torno das cartografias micropolíticas, e as que contemporaneamente vem sendo enunciadas em torno da produção de narrativas etnográficas. Neste caso serão privilegiadas as vertentes contemporâneas, desde as pós-modernas e pós-coloniais às etnografias multiespecíficas, passando pelas proposições merográficas e cosmopolíticas. Embora o ST não seja refratário a propostas de cunho mais bibliográfico, serão particularmente bem vindas aquelas que conectem as discussões em torno das possibilidades de articulação transversal entre algumas das proposições elencadas acima e material empírico de pesquisa passada ou em curso.

Palavras-chave: Mapeamento de controvérsias; Micropolítica; Etnografia; Cosmopolítica

Participantes:

Aline Ferreira Oliveira
Bianca de Jesús Silva, Eliana Santos Junqueira Creado
Daniel Fernando Fischer Lomonaco
Flora Rodrigues Gonçalves
Isabella Bonaventura de Oliveira
Israel de Jesus Rocha
Jerônimo Amaral de Carvalho
João Daniel Dorneles Ramos
Josiane Carine Wedig
Margaret Young
Mariana Borja Costard
Marina Evangelista Defalque
Natália Sales
Raphael Vianna Mannarino Bezerra, Fátima Teresa Braga Branquinho
Tiago Simões Vieira Lopes

ST13: Mapear é conhecer territórios? Etnografando mapas indígenas no Brasil / Coordenador: Henyo Trindade Barretto Filho (UnB)

Resumo: Nos últimos 20 anos, observa-se a generalização de um/a recurso/prática para lidar com alguns dos desafios e oportunidades da atual conjuntura socioambiental dos continuamente ameaçados povos e territórios indígenas no Brasil: os mapeamentos participativos que – articulando diferentes regimes de conhecimento, técnicas e métodos, em redes sociotécnicas variadas de povos e organizações indígenas com distintas instâncias e instituições do governo, da sociedade civil e da cooperação internacional – vêm sendo empregados como “instrumentos/ferramentas de gestão” ambiental e territorial. Expressão de uma tendência de alcance global (veja-se a plataforma Participatory Avenues http://www.iapad.org/), um conjunto importante de iniciativas concretas de gestão territorial e ambiental indígena tem levado à produção e circulação tecnopolítica dos chamados “etnomapas”. De modo geral, tem se entendido estes como representações/performances cartográficas que comunicam informações espaciais eficazes na gestão de territórios, contribuindo para maior autonomia e fortalecimento dos povos indígenas, agregando valor e autoridade aos conhecimentos desses povos. O seminário pretende reunir trabalhos – inclusive de indígenas – que etnografem e reflitam sobre a produção e a circulação de tais mapas a partir de compreensões não só circunscritas à cartografia essencialista/representacionista, mas também que reconheçam a natureza ontogenética e emergente da cartografia e os mapas como realizações práticas contingentes, relacionais e embebidas em contextos, que dão conta de problemas relacionais – nos termos de Kitchin and Dodge: qual a capacidade dos mapas fazerem diferença para e nos mundos que esses povos habitam?

Palavras-chave: mapas indígenas, instrumentos/ferramentas, gestão territorial, cartografia emergente

Participantes:

Adriana Werneck Regina
Alexandre Aquino
Aloisio Cabalzar
Bruno Marques, Danilo Paiva Ramos
Diego Rosa Pedroso
Estêvão Martins Palitot
Geraldo Andrello
Lara Erendira Almeida de Andrade
Lilian Bulbarelli Parra
Meline Cabral Machado
Sandra Damiani
Stéphanie Tselouiko

ST14: Memória, propriedade e silêncio nos arquivos relativos a povos indígenas / Coordenadores: Luísa Valentini (USP), Rui Massato Harayama (UNIVASF), Spensy Pimentel (UFSB)

Resumo: O recurso a artefatos digitais de documentação está hoje disseminado entre antropólogos, seus interlocutores de pesquisa e no poder público, e a publicização de documentos a partir de recentes legislações nacionais suscita novas redes de produção e de circulação que incidem diretamente sobre a garantia de direitos e sobre a nossa ética e procedimentos de pesquisa. As peculiaridades dessas redes emergentes de produção e circulação de documentos também suscitam questões de grande importância para pensarmos as outras modalidades de produção e concepção da memória e do esquecimento junto às quais operamos e produzimos o conhecimento antropológico: a extensão do acesso à informação, as éticas do silêncio articuladas pelas interlocutores, o recurso da memória na construção da política, as novas modalidades de desaparecimento e de publicização de dados sigilosos ou sensíveis? Este Seminário Temático pretende reunir pesquisadores às voltas com questões técnicas, éticas, estéticas e políticas que envolvem os arquivos relativos a povos indígenas mas também em outros contextos, tendo em vista as demandas e a garantia dos direitos dos nossos interlocutores de pesquisa, distintos conceitos de justiça e propriedade e os diferentes circuitos de produção e circulação de memória nos quais nos vemos engajados.

Palavras-chave: arquivo, documento, memória, silêncio, direitos

Participantes:

Aristoteles Barcelos Neto
Daniela Alfonsi
Esther Jean Langdon
Luciana Marin Ribas
Luís Roberto de Paula
Luísa Valentini
Maria Raquel da Cruz Duran
Nádia Philippsen Fürbringer
Rui Massato Harayama
Tito de Souza Menezes
Vladimir Bertapeli

ST15: Mudanças Climáticas: Conhecimentos, Políticas e Intervenções / Coordenadores: Tiago Ribeiro Duarte (UnB), Raoni Guerra Lucas Rajão (UFMG), Marko Synesio Alves Monteiro (UNICAMP), Jean Carlos Hochsprung Miguel (UNICAMP)

Resumo: Desde os anos de 1990, quando as mudanças climáticas emergiram internacionalmente enquanto um problema ambiental de natureza global, antropólogas/os e pesquisadores/as das diversas áreas das ciências sociais ao redor do mundo têm se interessado cada vez mais pelo tema. No Brasil, há um número crescente de pesquisadores/as desenvolvendo trabalhos sobre os mais diversos aspectos da produção, comunicação e legitimação de conhecimento e de políticas públicas relacionadas ao clima. Estas pesquisas são relevantes tanto do ponto de vista do desenvolvimento teórico da antropologia e das ciências sociais de um modo mais amplo, como com relação à possibilidade de aprimorar a produção de conhecimento nas ciências climáticas e a elaboração de políticas para o clima. Este ST tem como objetivo reunir pesquisadores/as que estudam uma diversidade de temas vinculados às mudanças climáticas, incluindo, mas não restrito a: as dinâmicas de produção de conhecimento sobre o clima; desafios ontológicos impostos pelas mudanças climáticas; controvérsias científicas e políticas sobre as mudanças climáticas; entendimento público das ciências climáticas; participação pública na formulação de políticas climáticas; conhecimentos indígenas, tradicionais e locais e as mudanças climáticas; as mudanças climáticas no contexto do Antropoceno; impactos climáticos e a adaptação de populações vulneráveis; as mudanças climáticas, pós-colonialidade e a opção decolonial.

Palavras-chave: Mudanças climáticas, políticas climáticas, produção de conhecimento e políticas do conhecimento.

Participantes:

Ana Lucia Lage
Carlos Assim
Clara Nina Rodrigues Nunes
Gabrielly Merlo de Souza
Hugo Brian Partucci, Gabriela Cruz Brasesco
Josi Paz
Lorena Cândido Fleury
Mônica da Costa Pinto, Danielle de Ouro Mamed
Paulo Augusto Sobral Escada
Raoni Rajão
Ricardo de Almeida Marchiori
Rylanneive Leonardo Pontes Teixeira
Tiago Ribeiro Duarte

ST16: Parentesco e tecnologias computacionais: apropriação ou colaboração? / Coordenadores: Juliana P. Lima Caruso (École Pratique des Hautes Études, França), Marcio Ferreira da Silva (USP), Miriam F. Hartung (UFSC), Carlos Eduardo Ferreira (USP)

Resumo: Se existe um domínio da Antropologia que acompanhou o nascimento e o desenvolvimento da computação moderna, esse domínio é o parentesco. Ainda nos anos 60 e 70, era dos cartões perfurados, nomes como Coult , Randolph , Gilbet , Hammel e Héritier juntamente com engenheiros informáticos faziam testes de análises computacionais do parentesco. Ao longo das últimas décadas, esta estreita colaboração da antropologia com as ciências da computação e matemática ajudou na concepção de softwares bastante sofisticados como a Pgraph, ParCal, Genos até os atuais e mais aprimorados como a MaqPar (Dallpoz & Silva; Ferreira, Franco e Silva) o Puck (Hamberger, Momon,Savoia,Mermet e Menezes). Diferentemente dos anos 60, encontramo-nos em um momento em que estes programas são capazes de analisar todas as conexões (filiação e casamento) e padrões de redes genealógicas compreendendo mais de 20 mil pessoas em menos de 40 segundos. Mas, como pensar esses resultados? Até que ponto nós nos apropriamos dos conceitos e fórmulas das ciências computacionais para interpretar as análises obtidas por estes programas? Como acontece a colaboração entre pesquisadores da informática e do parentesco? É possível que os softwares estejam, de alguma forma, influenciando as práticas de pesquisa de parentesco, assim como seus produtos?Neste seminário temático discutiremos o impacto dessas tecnologias nos estudos de parentesco e, ao mesmo tempo, a influência do parentesco no desenvolvimento das ferramentas computacionais.

Palavras-chave: Parentesco; Computação; Grafos; Antropologia.

Participantes:

Alvaro J. P. Franco, Carlos E. Ferreira, Marcio F. da Silva
Carlos E. Ferreira, Alvaro J. P. Franco, Marcio F. da Silva
Carlos Melo de Oliveira Paulino
Edson Tosta Matarezio Filho
Juliana P. Lima Caruso
Leandro Mahalem de Lima
Marcio F. da Silva, Carlos E. Ferreira, Alvaro J. P. Franco
Marcos de Miranda Ramires
Márnio Teixeira-Pinto
Miriam Furtado Hartung

ST17: Políticas etnográficas no campo da cibercultura / Coordenadores: Theophilos Rifiotis (UFSC), Jean Segata (UFRGS)

Resumo: Este simpósio tem por objetivo discutir práticas e metodologias da antropologia no campo da cibercultura. O seu tema central são as políticas etnográficas consolidadas através de pesquisas nesse campo, permitindo um debate sobre os limites e as possibilidades da análise antropológica em contextos atravessados por redes sociotécnicas. Há duas décadas, a antropologia tem sido desafiada com o campo da cibercultura, aqui pensada como uma situação contemporânea, de cotidianização das tecnologias digitais, em particular, a internet e os seus dispositivos. Tal desafio, ao longo desses anos, refere-se a tópicos teóricos, como aqueles que envolvem categorias como “comunidades virtuais” ou “redes sociais”, como aqueles de cunho metodológico, cujo foco de discussão é tipo de condução de uma etnografia que inclua o encontro em interface. Parte da referência que temos sobre isso está ligada a experiência do GrupCiber (Grupo de Pesquisas em Ciberantropologia do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina), um pioneiro no Brasil nesse campo de investigação, criado em 1997. Com diversas pesquisas concluídas em nível de graduação, mestrado e doutorado e à frente de Grupos de Trabalho, Mesas Redondas e Seminários em diversos eventos, temos notado que a discussão das práticas e metodologias de pesquisa antropológica no campo da cibercultura são constante em crescimento. Ao longo dessas duas décadas, nos aproximamos da área da comunicação e da sociologia e mimetizamos práticas antropológicas que se consolidaram na Antropologia Urbana, em particular, aquelas inspiradas na espacialidade da Escola de Chicago e na análise situacional e de redes, da Escola de Manchester. Contudo, mais recentemente, redirecionamos nossas estratégias metodológicas, alimentados pelo diálogo com elementos que constituem a Teoria Ator-Rede, como o rastreamento de associações entre humanos e não humanos e o mapeamento de controvérsias. Cabe igualmente frisar que, há alguns anos, formávamos um campo muito peculiar na antropologia, com um tema muito específico pesquisa – e por assim dizer, com nativos muito circunscritos. Mas, atualmente, quando os mais diversos campos e temas de pesquisa antropológica passam a ser atravessados pelo uso da internet e seus dispositivos, o debate sobre a pesquisa antropológica em cibercultura se torna urgente e mais abrangente. Exemplo disso, é a presença de pesquisadores do campo da etnologia indígena, das relações de gênero, da performance, da antropologia da arte, do consumo, da antropologia urbana, etc., nas atividades que temos organizados em diversos eventos ou mesmo nas demandas de orientações de novas pesquisas. Nesse sentido, o que constitui o centro desse painel é o debate que visa pensar políticas etnográficas para a pesquisa antropológica no e a partir do campo da cibercultura. Em particular, trata-se de refletirmos sobre que lugar ocupa a cibercultura no escopo antropológico contemporâneo. Essa é a questão que dirige o debate proposto nesse painel e ela se articula a partir três eixos ou agendas de trabalho: (i) a agenda teórica, que se delimita, a partir de diálogos e da revisão da produção da disciplina nesse campo, ou seja, em como pensar uma teoria antropológica da cibercultura; (ii) a agenda metodológica, que pode ser resumida com a discussão de como pesquisar antropologicamente a cibercultura e, em desdobramento disso, como fazer das novas tecnologias digitais estratégias de pesquisa antropológica/etnográfica; (iii) a agenda prática ou aplicada, que se desdobra mais recentemente em pensar como a relação “antropologia e cibercultura” pode ser pensada em termos de ações práticas e/ou engajadas.

Palavras-chave: Políticas etnográficas; cibercultura; antropologia.

Participantes:

Andressa Nunes Soilo
Andrey Felipe Sgorla
Cristiane Moreira da Silva
Erick Andre Roza
Fabíola Ribeiro Duarte
Massimo Di Felice
Sheila Cavalcante dos Santos
Tauana Mariana Weinberg Jeffman
Thiago Cardoso Franco
Victor José Alves Fernandes

ST18: Práticas Psi e modos de produção de subjetividades: um campo de descrições etnográficas / Coordenador: Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ)

Resumo: Nos últimos anos, temos visto um crescente interesse no referente à composição do sujeito e da subjetividade na nossa atualidade. Algumas aproximações reivindicam que o lugar do humano e da subjetividade podem ser vistos de outra forma se abordados pela perspectiva da sua associação com entidades de diferentes naturezas, tomando-os como um efeito e não um ponto de partida. De modo mais específico o objetivo da seção especial é abrir um espaço para a divulgação de trabalhos sobre as Práticas Psi e de seus modos de produção de subjetividades. A eleição deste termo busca gerar uma porosidade nas fronteiras que definem a competência profissional e epistemológica dos conhecimentos psicológicos. A proposta é de considerar simetricamente aos saberes estabelecidos, uma série de práticas fronteiriças em busca de reconhecimento. Assim, serão considerados, por exemplo, estudos referentes aos conhecimentos e práticas das neurociências, psiquiatria, gestão, reabilitação, autoajuda, coaching, entre outros. Esperamos que os trabalhos possam descrever as diversas condições históricas de dispositivos, modos de tradução e disseminação de saberes, modos em que são formadas as comunidades técnico-científicas, como se relacionam diferentes atores ou até mesmo o modo no qual inscrevem interesses institucionais. Esperamos também, promover reflexões sobre plataformas locais que envolvem a produção de formas molares de conceber o sujeito, modos de subjetividade e suas relações constitutivas.

Palavras-chave: Práticas Psi; produção de subjetividades; fronteiras ontológicas.

Participantes:

Amanda Muniz Logeto Caitité
Arthur Arruda Leal Ferreira
Bruno Foureaux Figueredo
Cristiana de Siqueira Gonçalves
Cristiane Moreira da Silva, Carolina Bayão da Silva, Diogo Fagundes Pereira, Daniela Roberta de Paula Pereira, Sylvio Pecoraro Júnior, Francyne dos Santos Andrade, Nathalia Melo de Carvalho, Letícia Nascimento Mello
Jorge Chávez Bidart, Pablo Piquinela Averbug
Lecy Sartori
Lilian Leite Chaves
Maria Carolina de Araujo Antonio
Mário Eugênio Saretta
Rafael de Souza Lima

ST19: Praxiografias do corpo / Coordenadores: Valeria Mendonça Macedo (UNIFESP), Pedro Paulo Gomes Pereira (UNIFESP)

Resumo: O corpo engendrado por práticas e relações. Articulado por diferenças. Constituído, transformado e mobilizado por um aprender a ser afetado. Interface que vai ficando descritível conforme efetuada em praticalidades, materialidades, eventos. Nossa aposta para este encontro é reunir trabalhos que ressoem conceituações recentes de autoras e autores como Annemarie Mol, Bruno Latour, Donna Haraway, Isabelle Stengers, Judith Butler, Marilyn Strathern, Tim Ingold, Vincianne Despret, entre outras e outros. A ideia é estabelecer conexões parciais entre diferentes problemáticas e campos etnográficos, como aqueles envolvendo biomedicina, xamanismo, gênero e sexualidades, artes, performances, entre outros. Nossa aposta é que tais conexões sejam ensejadas por escolhas teórico-metodológicas que busquem deslocamentos, embaralhamentos ou implosões de marcadores clássicos nas abordagens do corpo, como entre a dimensão orgânica e simbólica, objetiva e subjetiva, individual e coletiva, material e imaterial, dada e construída, entre outras que pressupõem a existência de um corpo passivo à espera de interpretações. Ao encontro da proposta de Mol, esperamos dar ênfase à dimensão praxiográfica e sua política ontológica, ou seja, como questões são formuladas, corpos forjados e vidas manejadas por práticas e dispositivos singulares. Consideramos, contudo, a produção conceitual de nossos interlocutores em campo como parte visceral dessas praxiografias do corpo; afinal, a descrição de corpos e práticas não prescinde de conceitos e estes são também dispositivos de fazer corpos múltiplos.

Palavras-chave: Corpo, praticalidades, materialidades, praxiografias, políticas ontológicas

Participantes:

Ana Gretel Echazú, Maria Eugenia Flores
Bruno Campos Cardoso
Bruno Pereira de Araujo
Cíntia Liara Engel
Fabiana Maizza
Fernanda Miranda da Cruz
Glaucia Maricato
Helena Moura Fietz
Íris Morais Araújo
Jorge Garcia de Holanda
José Miguel Nieto Olivar
Julia Ruiz Di Giovanni
Juliana Ramos Boldrin
Juliana Rosalen
Larissa Longano de Barcellos
Mario Pereira Borba
Marisol Marini
Marta da Rosa Jardim
Ricardo Lopes Dias, Jaime da Silva Mayuruna
Tatiane Pereira Muniz
Valéria Oliveira Santos

ST20: Relações entre sociedade-naturezas e enfermidades vetoriais: a vida política dos discursos e práticas científicas / Coordenadores: Andrea Mastrangelo (Universidade de San Martín), Joana Cabral de Oliveira (UNICAMP), María Mónica Ruoti de García de Zúñiga (Universidad Nacional de Asunción)

Resumo: As doenças vetoriais (Leishmaniose, Chagas, Zika, Malária, Dengue entre outras) estão no foco de ações epidemiológicas do Estado em sua interface com pesquisas científicas de ponta. Comportando ciclos complexos de transmissão, que podem evolver animais reservatórios de parasitos, organismos que operam como transmissores e a instauração de doenças em seu hospedeiro final – os humanos-, as enfermidades vetoriais permitem abordar densos enredamentos entre humanos e não-humanos, mediados por atores bio-sócio-técnicos (como mosquitos transgênicos, venenos, armadilhas etc.), políticas saúde publica (tratamentos, campanhas de esclarecimento, eliminação de vetores e reservatórios etc.) orientadas pela produção dos saberes científicos. Em sua interface com a epidemiologia e políticas de controle, tratamento e prevenção, as doenças vetoriais articulam ainda ações de gestão ambiental e doméstica, permitindo análises que atravessam e emaranham domínios como Estado, doméstico e ambiental. Esse seminário temático visa, assim, congregar estudos antropológicos de investigação etnográfica sobre doenças vetoriais, que nos possibilite uma reflexão teórica no campo da antropologia sobre a densa rede que ata Estado, Ciência, protozoários, insetos, mamíferos, concepções de doença e saúde, relações sociedade-natureza, gestão ambiental e doméstica.​

Palavras-chave: doenças vetoriais, rede, complexidade, sociedade-natureza

Participantes:

Andrea Mastrangelo
Denise Pimenta
Elisa Oberst Vargas
Gabriel Lopes
Jean Segata
Joana Cabral de Oliveira, Paloma H. F. Shimabukuro, Eduardo S. Moreno
Mario Sergio Michaliszyn
Mónica Ruoti
Thiago Ranniery
Tullio Dias da Silva Maia

ST21: Religião e tecnologia: novas abordagens / Coordenadores: Bruno Reinhardt (Universidade de Utrecht, Países Baixos), Diana Espírito Santo (Pontifícia Universidade Católica do Chile)

Resumo De maneira geral, o período clássico das ciência sociais foi responsável pela reprodução de uma perspectiva contrastiva acerca da relação entre religião e tecnologia, seguindo de forma pouco reflexiva a sensibilidade secular hegemônica sobre esse tema. Nesses termos, a religião seria uma tentativa conservadora de se apegar aos significados e aos valores últimos, à teodiceia, à providência, à dimensão imaterial e transcendental da vida em um mundo progressivamente desencantado e instrumentalizado pela modernidade tecno-científica. Tal atribuição de tecnofobia ao sujeito religioso tem sido recentemente questionada de forma mais sistemática por uma série de análises que destacam as interpenetrações e mesmo a fusão ontológica entre esses domínios (veja-se Jacques Derrida, Bernard Stiegler, Jeremy Stolow, Hent DeVries, Birgit Meyer, David Morgan, entre outros). De acordo com esses autores, haveria um vínculo não meramente instrumental, analógico ou simbólico entre fetiches e próteses, o médium espiritual e as mídias eletrônicas, o vidente e o cinema, os milagres e os efeitos especiais, o moto-contínuo dos corpos em oração e as máquinas. O debate sobre a natureza desse vínculo, no entanto, permanece em aberto, podendo ser abordado por uma série de ângulos: da virada ontológica à antropologia linguística, do foco fenomenológico na “encorporação” do mecânico pelo orgânico à noção ecológica de “affordances”, da preocupação Foucaultiana com o “equipamento” (paraskeue) ético-espiritual às teorias extensionistas da mídia, da cognição, das emoções e dos atores-rede. Antes isolada disciplinarmente por uma noção mentalista de “crença” em seres “sobrenaturais”, a antropologia da religião tem buscado de forma mais sistemática diálogo com os estudos da ciência e da tecnologia de modo a dar conta de um campo religioso ele mesmo cada vez mais saturado – nos níveis da mediação, percepção, design e infraestrutura – por artefatos tecnológicos. Tendo em vista estimular esse debate, o presente seminário temático convida trabalhos de base histórica e/ou etnográfica, inspirados por diversas vertentes teóricas, que incidam sobre três temas-chave: a) teorias nativas sobre a presença divina e as agências espirituais em sua relação com o humano e as tecnologias, incluindo diversas abordagens para o problema da materialidade e/ou imaterialidade do sagrado; b) estudos das práticas e técnicas religiosas através dos quais essas teorias nativas se atualizam no nível visceral da percepção e performance, incluindo controvérsias sobre tradição e inovação; c) estudos sobre o design e a reprodução de redes associativas técnico-religiosas, que dão forma a coletivos tanto de ordem institucional e centralizadora quanto a públicos e movimentos religiosos capilares, ambos articulando as agências espiritual, humana, e tecnológica de maneiras diversas.

Palavras-chave: religião, tecnologia, teorias nativas, performance, redes sócio-religiosas

Participantes:

Bernardo Curvelano Freire
Bruno Reinhardt
Camillo César da Silva Alvarenga
Carolina Junqueira dos Santos
Cauê Fraga Machado
Fernando Augusto Fileno
Giovanna Capponi
Gustavo Ruiz Chiesa
Isabela Oliveira Pereira da Silva, Ali Mustafa Smaili, Celso Ricardo Bueno
Juliana Loureiro Silva
Lucas de Mendonça Marques
Lucas Gonçalves Brito
Mattijs van de Port
Patrícia Ferreira e Silva
Rafael Antunes Almeida

ST22: Tecno-ciência e periferalidade: abordagens e interseções contemporâneas / Coordenadores: Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino (UFSC), Fabrício Monteiro Neves (UnB)

Resumo: A antropologia da ciência e tecnologia, assim como o campo interdisciplinar mais amplo dos estudos em ciência, tecnologia e sociedade (CTS), tem historicamente se desenvolvido através do estudo da produção de ciência e tecnologia modernas a partir de regiões comumente reconhecidas como sendo o seu berço: notadamente, a Europa Ocidental e os Estados Unidos. Mesmo com a crescente diversificação de temas, abordagens teórico-metodológicas e estilos disciplinares neste campo, o foco empírico (e teórico) nas C&Ts “centrais” tem permanecido uma constante. Mais recentemente, têm emergido alguns movimentos no sentido de reverter esta tendência, e olhar para os aspectos “periféricos” da C&T: exemplos incluem engajamentos com preocupações da teoria crítica, feminista e pós-colonial; as origens não-ocidentais da ciência e tecnologia modernas; as relações estreitas entre tecno-ciência e expansão colonial/imperial, incluindo os colonialismos internos no Brasil e alhures; ciências e técnicas não-modernas, e/ou suas relações com o conhecimento científico; ciência e tecnologia produzidas em contextos periféricos, na América Latina e em outras partes do sul global; provincialização das teorias e epistemologias do mainstream dos STSs; hierarquias epistêmicas. Este Simpósio Temático visa agregar trabalhos nestas linhas, que venham refletindo sobre, e/ou abordando etnograficamente, aspectos periféricos (ou subalternos, situados, etc.) da tecno-ciência num sentido empírico, teórico e/ou epistemológico.

Palavras-chave: Periferalidade, pós-colonial, circulação de conhecimento, estudos sociais da ciência e tecnologia

Participantes:

Clarissa Reche Nunes da Costa
Gitana Cardoso da Silveira Nebel
Idjahure Kadiwel
Isabel Izquierdo, Hebe Vessuri

Letícia Maria Costa da Nóbrega Cesarino
Lígia Maria de Mendonça Chaves Incrocci
Marcio Felipe Salles Medeiros, Fabrício Monteiro Neves
Maryanne Rizzo Galvão
Paula Groehs Pfrimer Oliveira Stumpf
Rosana Castro
Tamirez Galvão da Silva Paim

ST23: Tecnologias da reflexividade e as pesquisas sobre ritual, usos de substâncias e saúde / Coordenadores: Marcelo Simão Mercante (UNISINOS), Ana Letícia de Fiori (USP)

Resumo: Este Simpósio Temático propõe abrir um campo de discussão do que pode ser chamado de tecnologias da reflexividade, ou seja, repertórios de técnicas e práticas que ensejam experiências autorreflexivas para seus participantes, no campo do ritual e do uso de substâncias psicoativas, principalmente no que concerne à área da saúde. Considerando que tais tecnologias podem ser consideradas práticas de conhecimento, com suas formas próprias de aprendizado, descrição, investigação, aferição e validação, que estabelecem relações diversas com as práticas de conhecimento reconhecidas pela chamada ciência ocidental, algumas questões emergem. Como tais tecnologias permitem processos reflexivos que acabam por atuar na própria constituição da subjetividade? Como diferentes gramáticas rituais enfeixam experiências acerca de corpo e pessoa; saúde, doença e cura; bem estar, etc? E, conduzindo nossos questionamentos na direção da produção da pesquisa sobre estes temas, nos perguntamos: como a investigação envolvendo tais tecnologias afeta o próprio pesquisador? Como o campo da saúde é afetado por tais tecnologias?

Palavras-chave: reflexividade; substâncias psicoativas; ritual; subjetividade; saúde

Participantes:

Danieli Katherine Pascoal da Silva
Guilherme Pinho Meneses
Jardel Fischer Loeck
Maiton Bernardelli
Pedro Crepaldi Carlessi
Rafael Hupsel Palomo Garcia
Pôster
Icaro Costa Torres
Jósimo da Costa Constant

ST24: Viver entre animais: etnografias da recalcitrância e do consentimento / Coordenadores: Felipe Vander Velden (UFSCar), Andréa Osório (UFF)

Resumo: Críticos têm recusado a oposição humanos/não humanos, insistindo que a última categoria agrega seres demais e ignora suas diferenças. Engajemo-nos, portanto, com os animais(ainda que a categoria pareça ausente em diversos contextos socioculturais), o que implica em aceitar a existência de um conjunto específico de seres, e em fazer justiça à sua materialidade concreta não como um coletivo definido em função do contraste com o humano e sob sua sombra ou tutela, mas como seres diversos, cujas vidas, escolhas e destinos são de sua responsabilidade e nada devem aos projetos humanos. Isso nos força a pensar em sua recalcitrância: em como resistem a tais projetos, seja como indivíduos, espécies ou nichos. E mesmo que pareçam concordar com nossas intenções que buscam ser mais-do-que-humanas, é bem provável que o façam por razões distintas das que imaginamos para eles. Isso implica numa reflexão sobre como resistências ou concordâncias, aliadas às ações humanas, produzem interações, contextos e paisagens naturalculturais cuja riqueza só agora começamos a compreender. Este Simpósio Temático pretende agregar pesquisas em torno do “viver entre animais” nos mais diversos contextos etnográficos, visto que esbarramos com eles em toda parte e juntos compomos os ritmos e rumos de nossas existências comuns. Seu foco está na consideração dos animais enquanto seres em si mesmos e nos modos como diferentes coletivos humanos, sempre com os animais, elaboram os mundos que nós todos temos para habitar.

Palavras-chave: Animais, Natureza, Cultura, Recalcitrância, Consentimento

Participantes:

Ana Paula Perrota
Ariane Vasques
Bernardo Lewgoy
Caetano Sordi
Célia Serrano
Daniel Vaz Lima
Eliane Sebeika Rapchan
Graciela Froehlich
Guilherme Antunes
Iara Maria de Almeida Souza
Ivana dos Santos Teixeira
Juliana Fausto
Kênia Mara Gaedtke
Leandra Pinto
Luna Castro Pavão
Luzimar Paulo Pereira
Olivia von der Weid
Piero de Camargo Leirner
Sarah Faria Moreno
Pôster
José Adailton Santos
Matheus Henrique Pereira da Silva, Flávio Leonel Abreu da Silveira